quinta-feira, 30 de junho de 2011

10 FILMES DE HORROR QUE VOCÊ PRECISA ASSISTIR

Para quebrar o jejum de postagens do blog, nada melhor do que uma listinha. E listas são sempre discutíveis, controversas, limitadas. Na verdade, as únicas duas finalidades de se listar gêneros de filmes, álbuns, músicas, videoclipes, games etc., é servir de guia e divertir, e esse é o propósito desta. Pensei inicialmente em elencar filmes mais desconhecidos, mas foi inevitável recorrer aos clássicos, apesar de um ou outro filme citado não ser tão popular assim.

NOSFERATU (1922)



Pra mim é bem difícil encontrar um filme mais aterrorizante do que Nosferatu, e todo esse grau de trevosidade se deve à época de produção do longa, 1922, um período tão remoto que chega a ser difícil de acreditar. Obviamente, não restou nenhum ator nos dias atuais para contar as histórias dos bastidores da produção. O filme mudo tem ainda um clima mais sinistro pelo exagero das expressões e dos trejeitos dos atores buscando compensar a ausência da linguagem falada. Além disso, a interpretação e caracterização de Max Schreck como Conde Orlok é genial.

Nosferatu é a baseado livremente na obra de Bram Stoker, Drácula, o que causou a condenação da produtora do filme por violação de direitos autorais.

THE EVIL DEAD / UMA NOITE ALUCINANTE – A MORTE DO DEMÔNIO (1981)



Quem assiste Evil Dead e depois a franquia Homem-Aranha e não conhece o diretor dessas produções, nunca vai concluir que se trata da mesma pessoa, Sam Raimi. Em uma situação semelhante à de Peter Jackson, Raimi dirigiu o clássico de terror B em 1981 e em 2002 dirige o estrondoso sucesso que foi a adaptação de Homem-Aranha para as telas.

Evil Dead traz a velha história de jovens em viagem que têm problemas com o carro e usam uma casa antiga no meio de uma floresta como abrigo. Lá eles encontram O Livro dos Mortos e uma fita que traduz determinados trechos do livro. Depois de ser reproduzida, o mal é libertado e espíritos malignos se apossam de todos, menos é claro do protagonista Ash, que precisa combatê-los pra sair vivo dessa.

O ponto alto de Evil Dead é fazer muito com pouco. Se o orçamento do longa foi baixo, o nível de gritos, sangue e violência explícita é alto.

NIGHT OF THE LIVING DEAD / A NOITE DOS MORTOS VIVOS (1990)



Apesar de o filme original, dirigido por George Romero em 1968, ser o clássico absoluto do gênero e ter dado início à toda essa série de filmes de zumbis que se estende até hoje, o meu longa preferido de mortos-vivos comedores de cérebro é o remake dirigido em 1990 por Tom Savini.

Savini é um reconhecidíssimo mestre dos efeitos especiais. Seu trabalho tem estado presente em grandes produções do horror há três décadas.

Mesmo com os avanços da computação gráfica e dos efeitos visuais empregados nos filmes de horror, na minha opinião não há nada que substitua uma boa maquiagem. O efeito acaba sendo muito mais genuíno, menos sintético e polido. A sensação que as maquiagens gore nos filmes de horror dos 80 me passam é de sujeira. Isso torna as produções muito mais interessantes.

Como no filme original de George Romero, um misterioso acontecimento faz os mortos voltarem à vida, e o pior, famintos por carne humana fresca. Além do terror, dos efeitos caprichados para a época e, é claro, dos zumbis, o roteiro também é bastante interessante, pois, além de sobreviver ao ataque dos comedores de cérebro, o grupo de humanos concentrados numa casa no meio do nada, precisa também lidar com seus relacionamentos, sua ganância e egoísmo.

A NIGHTMARE ON ELM STREET / A HORA DO PESADELO (1984)


Mortos-vivos e Freddy Krueger sempre dividiram o posto de meus monstros preferidos do cinema. Um vilão completamente queimado, com garras de aço, camisa listrada à la Mangueira, chapéu de sambista e um currículo mórbido de assassino de criancinhas da rua Elm que volta do inferno diretamente para pesadelos de indefesos adolescentes. Não tem como não achar isso sinistro, e eu achava muito quando criança. É verdade que a franquia A Hora do Pesadelo só piora desde o primeiro filme (com exceção de Freddy vs Jason e o remake do primeiro longa, que até são regulares e valem ser assistidos por curiosidade), mas o grande êxito de Wes Craven, o diretor do filme, foi apresentar um vilão original que chegava até suas vítimas através de sombrios pesadelos.

No primeiro filme, o personagem fala pouco e consegue manter de pé um tom sinistro. Nos seguintes, o que se vê é um festival de qual morte é mais engraçada e bizarra, mas Robert Englund nunca deixou de ser inesquecível como Freddy Krueger.

RE-ANIMATOR / RE-ANIMATOR A HORA DOS MORTOS VIVOS (1985)



Eis um filme que conseguiu me amedrontar durante a infância. Re-animator usa mais uma vez a temática dos mortos vivos, porém o mote da história gira em torno de um estudante de medicina que desenvolve um reagente capaz de trazer de volta à vida organismos mortos.
O filme é um clássico dos anos 80 e não economiza no sangue, nas vísceras, nos decepamentos, enfim. De brinde ainda se vê a absurda cena de uma cabeça decapitada fazendo sexo oral em uma garota amarrada numa mesa de autópsia.

REC (2007)



Quando assisti REC fiquei surpreso pela qualidade do filme. Refiro-me à versão espanhola, pois ainda não assisti o remake estadunidense. O longa usa um recurso semelhante ao usado em Bruxa de Blair e coloca o espectador na primeira pessoa. É como se ele fosse o câmera que grava toda a ação. Mais uma vez, listo aqui um filme que envolve zumbis. Já que disse que eles fazem parte do elenco dos meus monstros preferidos, né? Então...

A história retrata uma repórter e seu cinegrafista que partem para uma filmagem comum, mostrando como é o dia de um grupo de bombeiros espanhóis, porém os bombeiros são acionados para uma ocorrência e as coisas começam a ficar estranhas e sair fora de controle. Depois disso, são só sustos, gritos, sangue, suspense, uma atuação magistral de todo o elenco e um ritmo frenético.

THE EXORCIST / O EXORCISTA (1973)



Grande parte da carga de terror do filme se deve não ao que é apresentado em seus 133 minutos, mas a uma aura de mistério, lendas urbanas e coincidências sinistras que gira em torno da produção. Incêndios, mortes misteriosas de alguns profissionais, ser baseado em fatos “reais”, blablablá... O Exorcista cria um clima pesado com alguns início de sutilezas e suspense para depois despejar vômito verde na tela. É, sem dúvida, um clássico do horror que ainda funciona, mesmo mais de 30 anos depois do seu lançamento.

Lembro que assisti quando tinha 12 anos. Na época, não fiquei aterrorizado como todos me falavam que seria depois de ver o filme, mas recordo do meu espanto ao assistir a famigerada cena em que a Reagan possuída se masturba usando um crucifixo. Muito, muito ousado pra 1973.

FRIDAY THE 13TH PART III / SEXTA-FEIRA 13 PARTE 3 (1982)



Jason Voorhees é um querido. Irmãozinho do Freddy Krueger e um dos monstros mais amados, conhecidos e parodiados da história do cinema mundial, afinal, é só colocar uma máscara de hóquei e pronto, você é o Jason Voorhees da festinha à fantasia. Um ótimo disfarce para os introspectivos de plantão, já que Jason é um cara caladão, aliás, se a sua história se passasse nos dias de hoje, certamente diriam que ele veio do inferno se vingar porque foi vítima de bullying ou então, quem sabe, por culpa da Rebecca Black.

Sei que a crítica fala mal desse filme, que o roteiro é furado, que o que se vê é uma violência descabida e a morte de personagens pouco expressivos, mas, tãn nãm! É o primeiro filme no qual Jason usa sua famigerada máscara, afinal, é assim que todos o conhecem, mesmo aqueles que não dão a mínima pra filmes de horror.

THE TEXAS CHAINSAW MASSACRE / O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (1974)



Eu, aficionado por filmes de horror que sempre fui, quando criança teimava em perguntar a minha mãe se ela já tinha assistido algum filme assim, e ela dizia que apenas um, era O Massacre da Serra Elétrica, mas mesmo assim, mal se lembrava dele. Acho que ela cobriu muito os olhos pra não se lembrar de uma obra prima do cinema de horror.

O filme, apesar do sugestivo nome, não é tão gore assim. É criado um clima esplendoroso fazendo-se uso do terror psicológico, dos gritos histéricos de mocinhas desesperadas, das perseguições, dos olhares estarrecidos. Foi sutilmente inspirado na história do serial killer Ed Gein, um maluco que usava o couro de suas vítimas em máscaras e outros objetos.

Engraçado é como eu também gosto da continuação, que praticamente não tem nada a ver com o original, mas é bem mais sangrento e bizarro. Deve ser pela inclinação que eu tenho ao trash, haha.

PRINCE OF DARKNESS / O PRÍNCIPE DAS SOMBRAS (1987)



Eis aqui o último filme da listinha, ufa! Prince of Darkness é mais um bom filme de John Carpenter, conhecido mundialmente por seu sucesso comercial Halloween. Já assisti praticamente todos os filmes de Carpenter e, pelo que vi, o diretor sempre acertou.

Assisti Prince of Darkness, pra variar, quando era criança, no SBT. Lembro de ter tido muito medo desse filme. Chegou a me marcar tanto que algumas cenas ficaram até hoje na minha cabeça, como a do personagem que é comido vivo por baratas. O legal de Prince of Darkness que é que ele mistura vários segmentos do horror como zumbis e possessões demoníacas.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A MELHOR SÉRIE DOS ÚLTIMOS TEMPOS

Se me perguntarem agora qual é a melhor série de TV atualmente, respondo que é Breaking Bad. Há várias outras que habitam com carinho minha mente. Humor, drama, ação, ficção científica. É difícil fazer comparações pela diversidade de gêneros, mas, certamente, as histórias que mais chamam minha atenção são aquelas que se aproximam da realidade sem perder o poder de surpreender-me. E é justamente isso que acontece em Breaking Bad.


Criada e produzida por Vince Gillian, que também trabalhou com Arquivo-X, a série já começa ao avesso, com o protagonista e anti-herói Walter While, descobrindo ter um câncer no pulmão em estado avançado. Nos primeiros episódios percebemos a vida medíocre que Walt leva. Ele é um professor de química nada respeitado pelos alunos e pai de família com a dura missão de cuidar da esposa grávida e do filho com deficiência mental. Para ajudar na renda, Walt ainda usa o tempo vago para trabalhar lavando carros.

O personagem não poderia ser mais certinho e dentro dos moldes esperados para um professor, pai e católico, mas isso é até receber a notícia da doença que destrói aos poucos seu organismo. Walt nunca foi fumante, mesmo assim o pulmão foi tomado pelo câncer. E é a doença o ponto chave da série. Não fosse ela surgir drasticamente, não haveria a guinada na vida do personagem central. Walt passa a usar seus conhecimentos químicos para, com a ajuda de Jesse Pinkman, seu ex-aluno viciado em drogas, fabricar metanfetamina. É uma história que dá um nó nela mesma com um encaixe perfeito de argumentos.


Walt chuta o balde. É a resposta dele à vida. Uma vida de quem teoricamente fez tudo certo e recebeu em pagamento um duro golpe. Com a sua nova função de “cozinheiro” de metanfetamina, Walt é movido pelo objetivo de acumular a maior quantia de dinheiro possível para sua família. Jesse Pinkman tem a função de vender a droga produzida, mas ele é alguém instável, e seu vício não colabora. Jesse é a parte mais fraca e imatura da dupla. Não é a toa que os maiores erros acabam sendo cometidos por ele. A tensão entre os dois às vezes chega ao limite, deixando os espectadores apreensivos, mas entre tantas divergências, constrói-se também uma relação de amizade, afinal, Walt e Pinkman compartilham entre si problemas e fraquezas que ninguém mais tem conhecimento.

O combustível da série definitivamente é o mergulho nos vícios, fraquezas e defeitos humanos. Uma vida dupla torna-se muito mais instigante de ser observada, e essa duplicidade gera um intenso conflito, principalmente pela convivência com Hank, seu cunhado e agente respeitado da DEA, que é o departamento de combate aos narcóticos.

Breaking Bad é uma série mais adulta e densa do que a maioria em exibição e parece uma aula sobre ética, moral, nossos limites e as consequências de nossas atitudes. Walt passa a contribuir cada vez mais com o tráfico de drogas, com a legião de viciados espalhados pelas ruas, mas, por algum tempo, ele não tem noção da dimensão tomada por seus novos negócios. Com uma filosofia de “já que eles consomem de uma maneira ou de outra, vamos oferecê-los o melhor produto pelo preço mais justo”, Walt estende sua rede de vendas e passa a incomodar alguns poderosos.


A série traça um panorama interessante e fiel sobre o funcionamento do mundo das drogas, sua hierarquia, como os negócios se camuflam e como indivíduos que passam inteiramente despercebidos pelos olhos das autoridades têm importantes papéis no gerenciamento disso tudo.

Não posso falar muito, porque, de um jeito ou de outro, deixaria exposto algum spoiler, mas adianto que, nessas três temporadas já exibidas, Breaking Bad traz consigo uma característica empolgante, ela só melhora à medida que vai sendo produzida. O elenco é incrivelmente talentoso e em nenhum momento temos a sensação de personagens sobrando na tela. Cada um tem o seu devido papel e a importância necessária para fazer com que a série continue funcionando.


Se você já assistiu, faça como eu, fique torcendo pra estreia da quarta temporada. Caso ainda não tenha assistido, não perca tempo, dê um jeito de conhecer e, apropriadamente, viciar-se.

domingo, 9 de janeiro de 2011

MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA OU DO TELEJORNAL?

A base do telejornalismo é informar o telespectador. Você, na sua poltrona, depois de uma estressante jornada de trabalho, acompanha as “principais” informações do dia. Inteirar-se, conectar-se com as coisas, poder debater e reforçar seus argumentos em uma discussão, são alguns dos motivos que justificam acompanhar diariamente um jornal.



Política, economia, ecologia, cidadania, dicas de como transformar o pão amanhecido em um prato francês chique e requintado, de como fazer um penteado radical na sua irmã usando um maçarico... tudo isso pode ser parte de um telejornal. Mas só a gostosa que apresenta as notícias sobre mudanças climáticas às vezes não é o suficiente para se garantir uma boa audiência. Bom, bundas também não caberiam muito como forma de chamar a atenção, mais por não combinarem com a bancada dos apresentadores do que por não caberem na tela. O que resta e o que todo mundo adora? Gente morta! Cadáver de traficante, bebê sufocado no carro, taxista assassinado. É uma diversidade e uma fonte de alimento impressionante para os urubus da comunicação social, afinal, violência é uma coisa tão arraigada no ser humano que ninguém passa sem ela. As crianças adoram destruir seus brinquedos, os pitboys adoram quebrar sem ver a quem, o tiozinho súdito do Datena sente prazer em dizer que bandido bom é bandido morto, aquele que tremula a bandeira da paz parece que só faz isso porque tem sangue de sobremesa. O ser humano é autodestrutivo e tem uma curiosidade mórbida insana. Aí vem, aquela famosa conversinha fiada “assisto pra me manter bem informado”, mas racionalmente não faz sentido. Os jornais, os telejornais, parecem não fazer muito sentido. Vejamos, a probabilidade de que jornais de emissoras diferentes veiculem ao mesmo tempo a mesma notícia é bem difícil. Geralmente há um delay. Isso faz com que as pessoas muitas vezes acabem assistindo praticamente a mesma matéria, com imagens semelhantes de cadáveres, sangue, chacina, enfim, violência.



Hoje em dia a informação pipoca onde quer que estejamos. Difícil mesmo é ilhar-se com tamanha exposição audiovisual. Telejornais abusam tanto dos mesmos assuntos, que a sensação percebida, pelo menos para quem tem um pingo de memória recente, é de um eterno déjà vu. Emissoras, deem folga a seus empregados e reprisem o jornal de anteontem, ninguém irá perceber.



Qual a relevância em saber que no Rio de Janeiro mataram trinta depois de um churrasquinho na laje? Que, devido à seca no nordeste, o gado anda pedindo dica ao camelo de como estocar água? Ou que em Brasília os políticos adotaram a moda da cueca com compartimento especial para dólar que não pinica? Não quero dizer que os problemas e sofrimentos humanos não têm importância, mas sim que, só quem desconhece isso são aqueles que acabaram de nascer.

Então, minha dica é, não deixe que a notícia se esparrame em sua sala, se impregne pelas paredes e pelo seu cérebro. Acabe com a passividade, vá você atrás da notícia, saiba filtrá-la e substitua o inútil pelo o que de bom o homem já fez e está por aí, aguardando ser descoberto.

Ou será que você nunca percebeu que, aqueles cachorros com a unha pintada, aquelas dicas de como cuidar do cabelo ou economizar detergente só são mostradas numa tentativa de amenizar as imagens dos trezentos corpos crivados a bala e da turma de jovens de quinze anos que capotou o carro e teve morte imediata, mostradas anteriormente?

Campanha "não veja jornal, veja filme de terror". Taí uns clássicos sugeridos:








domingo, 2 de janeiro de 2011

TIRINHAS QUENTINHAS


Andrício de Souza (André Cintra de Souza) é o cara por trás do blog repleto de “tirinhas quentinhas, tirinhas caseiras”, definidas assim por ele mesmo.

Usando como moldura belos papéis A4 rasgados simetricamente, Andrício solta o traço como quem rabisca apressado, direto de um barzinho, enquanto reflete sentando no vaso sanitário ou em um momento de ausência do chefe chato.



Justamente pela peculiar simplicidade aparente do trabalho é que surge a empatia imediata e a vontade de ler tirinha por tirinha.

Politicamente incorreto e às vezes nonsense é que se faz o humor dos diálogos e desenhos, estes que transitam do sublime ao tosco e dão vida aos olhares cômicos que vão de Paulo Cesar Peréio a Fernanda Young, além de Rita Lee, Dilma Roussef, Dado Dolabella...

É isso! Visite o blog, prestigie o trabalho e garanta boas risadas:


domingo, 12 de dezembro de 2010

10 CLIPES BONITOS QUE EU CONSEGUI LEMBRAR


Listinhas são sempre divertidas de se fazer, a não ser que seja a de compras no supermercado. Todo mundo tem a mania de dar pitaco, bradar sua opinião e fazer uma lista com ares de especialista. Por isso mesmo, elas não têm nenhuma credibilidade. Só servem como forma de entreter ou guiar alguém meio perdido, mas acreditem, a que compartilho agora com vocês tem fundamento, e este é garantido pela minha memória. Sim! Abaixo, os dez clipes mais legais esteticamente que eu consegui lembrar (obviamente a qualidade musical também conta, mas, neste caso, o foco principal é a qualidade visual).

Justice – DVNO



O duo francês de música eletrônica Justice poderia aparecer aqui também com “Dance” e suas T-shirts cheias de animação, mas o escolhido foi “DVNO” e as logomarcas famosas brotando na tela lindamente polidas, emprestando suas formas para a letra da música.

Peter Gabriel – Sledgehammer



Peter Gabriel explorou a animação em stop motion de forma insana e criou um trabalho verdadeiramente inovador. Mesmo que você não goste da música, vai querer ver este videoclipe mais uma vez.

Björk – All is full of love



Björk já apareceu em outras listas por aqui. É aquele tipo de mulher que você pode levar pra casa e dizer “pinte minhas paredes, rasgue minhas roupas, raspe meu cabelo. Tudo em nome da arte”. Neste belo videoclipe dirigido por Chris Cunningham – responsável por vários outros trabalhos de sucesso –, Björk aparece em forma de andróide, enquanto transmite a ideia de que o amor não tem forma e pode existir em todos os lugares.

The Strokes – Hard to explain



Em 2001 o Strokes lança “Is This It”, seu primeiro álbum de estúdio. A banda que se tornaria sensação do rock alternativo, traz no vídeo de “Hard to Explain” um frenesi de imagens correspondentes ao período de transição que o mundo vivia. Fim definitivo da década de 90, novo milênio e a pergunta “quem somos nós?”.

Sia – Buttons



Sia nem chega perto de ser uma belezoca feito Björk, porém, em “Buttons”, apresenta uma música divertida e um clipe mais ainda, afinal, só pela situação claustrofóbica de enfiar a cabeça – parte do corpo onde o cérebro se faz presente – numa camisinha, já vale a pena.

The Flaming Lips – I can be a frog



O clipe de edição e recursos mais simples aqui listado. Apenas um plano, uma garota selvagem que pode ser todos os animais que quiser e rascunhos animados sobrepostos. Não é por ser singelo que deixa de ser uma belezura gostosa de se assistir.

Portishead – Only you



Chris Cunninghan aparece aqui com mais um trabalho interessante. Em “Only You”, temos toda a densidade e obscuridade do som do Portishead traduzida. É um videoclipe pouco iluminado que usa o efeito visual de corpos submersos em compasso com o trip-hop produzido pela banda.

Klaxons – Twin Flames



Pessoas coladas umas nas outras é sempre interessante. De brinde, temos ainda uns peitinhos. Definindo resumidamente este clipe do Klaxons, seria uma suruba surreal.

New Order – Bizarre Love Triangle



Primeiro que esta música é clássico absoluto, mas, seria este clipe a inspiração para Hard to Explain, do Strokes?

Aqui, imagens das mais diversas, intercaladas, brotando com o beat acelerado da música. É a linguagem do videoclipe em sua essência.

OK Go – End Love




Eis uma banda surgida da internet, representante direta da geração You Tube e que, certamente, tem a maior parte de sua audiência conquistada mais pelos videoclipes caprichados do que pela sua qualidade musical. Foi assim com “Here It Goes Again”, já um clássico moderno da web, mas escolho “End Love” para figurar na lista, pois o tenho como o mais interessante visualmente de seus videoclipes.





De bônus, “9999-Gold”, clássico da música popular russa...


sábado, 11 de dezembro de 2010

QUEIMANDO A ROSCA



A sensação que se tem é a de que já inventaram tudo no mundo e que coisas aparentemente novas são apenas aperfeiçoamentos ou variações de coisas antigas. Vejam só a engenhosidade deste separador de nádegas para os interessados em tostar sob o sol por completo, sem esquecer nenhum buraco.

domingo, 14 de novembro de 2010

Ô, GARÇOM, ME VÊ UM LETUCE, POR FAVOR


Letuce é uma banda de alma carioca surgida do encontro entre Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos. Em 2009 eles lançaram o seu primeiro álbum, “Plano de Fuga Pra Cima dos Outros e de Mim”, pelo selo Bolacha Discos. Não há outra palavra para definir este trabalho que não seja sinceridade, nascida de uma despretensão, de uma naturalidade quase vegetal – apesar de ser recomendado tanto para vegetarianos quanto para carnívoros –, quase alface, quase plantinha das bonitas que a gente cuida achando que vai salvar o mundo.



E aí, o casal inspirado, como não poderia deixar de ser, compõe sobre amor. Não o amor Romeu e Julieta, nem o amor das novelas mexicanas, mas o amor que ri de si mesmo porque sabe que se ama. Numa jornada entre a remela no canto do olho, a barba por fazer, o cabelo desgrenhado, a mão suada, uma flor de plástico e um poema infantil escrito num guardanapo, Letuce invade o universo substancial do romance e exala intimidade pintada a afagos e autodescoberta.



Todas as faixas são amálgamas indecifráveis, mas nessa fuga do “Plano de Fuga...”, algumas pedem abrigo no bom humor, como “Dia de Carnaval”, outras, no cisco que entra no olho, como “Horizontalizar” ou “Binóculos”. Essa versatilidade – ou será indefinição? – faz o disco soar bem em todas as situações.

Não tenho namorada. Ando procurando minha alma gêmea no Chat Line, mas, definitivamente, é um som recomendadíssimo para os casais não-equídeos. Eficiente também se faz para você que quer descansar os ouvidos do black metal. Dias de viagem, ativos, meditativos ou cheios de fotografias também pedem Letuce. Seu caso é não fazer nada? Pode escutar. Ponham para tocar nos shopping centers, assim os transeuntes comprarão mais papelão, cola e tesoura sem ponta. É a inspiração. “Love is in the air...”



E se aqui despejo elogios, não é por que o disco tem duas ou cinco faixas que se destacam em relação às outras. Na verdade, o trabalho traz consigo uma característica interessante, as canções são niveladas, o que não pode ser tomado por algo tedioso, pelo contrário. É uma tarefa difícil escolher entre as 12 faixas – dois covers – as melhores ou preferidas. O disco vale ser escutado de cabo a rabo, e se você fosse cachorro, o rabo balançaria até o final. É uma meiguice quase sacana. É uma sacanagem quase meiga. Tudo funciona tão bem porque as músicas complementam-se, intercalam-se, muito pela identidade já bem delineada da banda que conta com arranjos flexíveis, ótimas sacadas, pitadas eletrônicas e voz linda, forte e serena de Letícia.



Como ilustra a capa, o disco é meio aquático, meio onírico, meio plasma do Geléia dos Caça-fantasmas, meio marola daquelas que você não quer que acabe nunca de bater. Não é para gente medrosa, afinal, é um disco perigoso, daqueles que você escuta sem compromisso e se vê sequestrado, num cativeiro poético, ok, mas tendo de ligar para todos os amigos para indicar o som e chorar um resgate.



Letuce anda tocando por aí. Uma das recentes apresentações da banda foi no festival SWU. É bonito ver algo verdadeiro e intimista ter espaço e poder falar para mais gente o que bate como identificação imediata. Gratidão é algo que sempre acontece comigo quando uma obra, em qualquer plataforma e época que seja, me faz bem e me inspira. O mínimo que posso fazer é contar o que não se pode conter. Desejo vida longa, mais discos e amor para animar. Go, Letuce, Go! Mas passem pelo Ceará...



Para experimentar:

http://www.myspace.com/letuceletuce

Para comprar:

http://www.bolachadiscos.com.br/portal/

EP com covers mais uma MP3 inédita:

http://www.4shared.com/file/RjRzUUTM/LETUCE_-_EP_COUVES.html

Classificação: 4,5 de 5 Andys



sábado, 9 de outubro de 2010

TUTTUKI BAKO


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Certo, joguinho eletrônico de realidade aumentada criado por japoneses. Como a foto acima demonstra, você enfia o dedo e interage com o objeto virtual. Agora, pensem bem, sempre haverá alguém pra enfiar alguma outra coisa aí, né?

domingo, 26 de setembro de 2010

SEM CENSURA


Gil Vicente é o artista plástico responsável pela série de obras denominada “Inimigos”. Nela, personalidades políticas e religiosas ficam sob a mira de uma arma empunhada pelo próprio artista, num autorretrato.

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Talvez muita gente não teria ouvido falar desses desenhos de carvão sobre papel, não fosse o “mimimi” que a nossa querida OAB bradou ao pedir para que os trabalhos fossem retirados da Bienal de Arte de São Paulo.

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É paradoxal ver a Ordem dos Advogados do Brasil, que, teoricamente teria o dever de proteger artistas em caso de censura, pretender aplicar esta. Vivemos num período onde muita gente confunde ditadura com dentadura.

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Concordando ou não com os trabalho de Gil Vicente, eles continuam sendo arte, porque são libertadores para certos pensamentos, suscitam outros e conseguem ser controversos ao ponto de deixar muito puritano de cabelo em pé, mas nunca farão um ser humano normal matar outro, então, o argumento de apologia à violência não se justifica.

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Para conhecer mais do trabalho de Gil Vicente e visualizar suas obras em tamanho maior, acesse: http://www.gilvicente.com.br/

terça-feira, 21 de setembro de 2010

ENVELHECER NA INTERNET


Quando pensamos sobre envelhecer, quando desenterramos da memória alguns acontecimentos passados, quase sempre reina a sensação de nostalgia. É um apego ao pretérito capaz de fazer parecer que, o que vivemos antes é, de alguma forma, superior ao que vivemos agora. Na verdade, não é bem assim. Essa imagem idealizada do passado, possivelmente só existe porque ele, agora é inalcançável e distante de nós.

Eu mesmo, confesso, sou bem saudosista, e sempre ando vasculhando um filme, uma música ou uma revista antiga – até de épocas em que eu não vivi – só para sentir essa sensação de uma quase dimensão paralela.

Quando relembramos o passado, se fazem presentes alguns lugares-comuns, pensamentos peculiares de determinada geração, regados com relevante grau de afeto. É a fita VHS, o cartucho de videogame, o velho LP, o clipe do Michael Jackson estreando no Fantástico, Professor Tibúrcio traumatizando todo mundo. Mas, em meio a todas essas referências, dificilmente surge algo relacionado a computadores, à internet e às primeiras ferramentas da informática disponíveis para nós. Isso se deve pela entrada relativamente recente dessa vida virtual em nossa vida real, porém, as constantes mudanças e a rapidez com que esse mundo de bites, megabytes e terabytes se transforma, já dá lugar a certa nostalgia.

Eu, somente acessei a grande rede mundial de computadores em 2000. O até então mórbido PC, sem vida alguma, ganhava, feito mágica, uma conexão com o mundo, mesmo que fosse através da internet com pulso, aquela que a cada minuto cobrava mais dinheiro – exceto nas madrugadas e fins de semana.

E a internet do novo milênio não era bem tão nova assim. Digamos que seria muito mais um resquício do que acontecia na web nos anos 90. Gifs para fazer a alegria e deprimir ao mesmo tempo explodindo nos quatro cantos da tela, páginas terrivelmente mal formatadas e trechos curtíssimos de sons e vídeos como os recursos multimídia mais fresquinhos da época.

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Interação maior eram os bate-papos e, por incrível que pareça, eu, como principiante, não sabia onde achá-los. Clientes de chat estavam longe do meu alcance. Lembro que, na época, ouvia sempre falar do ICQ, e era mesmo sinônimo de internet, mas, entre 2000 e 2001 o programa já perdia suas forças. O engraçado é que eu adicionava o ICQ number das pessoas, porém, nunca achava ninguém online. Mal sabia eu que, todos já haviam zarpado desse barco.

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Para sorte minha, naquelas revistas guias de internet, havia o endereço de um chat. Acho que a preferência por escolhê-lo foi o fato de ele ser voltado para a comunidade japonesa no Brasil. É, acho que naquela época ainda restava em mim a vontade de ter um filho com traços nipônicos. Mandar uma mensagem para uma japinha e ser respondido, mesmo com atraso, já foi felicidade demais. Foi interação demais. Tudo deve ter começado com um clássico “quer tc?”. Mas aí a vagabunda da Liberdade me deixou esperando por terríveis dez minutos, com a conta telefônica já chegando às alturas e eu arrancando os cabelos. Tá, tudo bem. Desisti do meu amor nipônico, até mesmo porque, pelo papo, ela devia ser casada, mãe de dois filhos e vender pastéis e yakisoba para se sustentar. E esse é um problema meu, de ser cosmopolita no amor, porque já teve a polonesa, a finlandesa e a japonesa, isso tudo com o inglês macarrônico e a ajuda do tradutor do Google, capaz de tornar qualquer frase sua muito mais romântica. Como dizem, o amor só é perfeito quando platônico.

E, durante essa época de internet com banda estreitíssima, todo mundo era meio zumbi na sala de aula, porque, depois das 00:00hs, a noite era uma criança, e, dependendo da resistência de cada um, se estendia praticamente até o horário de ir à aula pela manhã. Depois era aquela coisa dos rostos todos literalmente afundados nos livros.

A internet foi sendo um espaço de descoberta, tanto para o bem, como para o mal. Horas e horas jogando MMORPGs; pastas abrigando a coleção de imagens pornográficas; o choque com a miséria e a crueza humana de forma mais intensa que a oferecida pelos shockumentaries em VHS esquecidos nas locadoras. Aquela terra quase sem limites onde o freio mais efetivo é o bom senso do usuário.

O primeiro cliente de chat com o qual eu tive contato foi o IRC ou mIRC, como era mais popularmente chamado. Diferentemente da maioria dos mensageiros e programas usados para bate-papo de hoje em dia, o IRC voltava-se para a coletividade, porque o grande atrativo e a principal forma de se conhecer alguém e iniciar uma conversa particular, era acessar os canais, geralmente temáticos, lotados de usuários. Por exemplo, havia canais com nomes de cidade, outros usados como forma de compartilhar arquivos e até os de temas adultos. Qualquer usuário poderia criar e registrar seu próprio canal.

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Aí o Orkut explodiu em 2004, e era aquela coisa restrita. Só podia ingressar na rede quem fosse convidado por algum usuário já registrado. Obviamente, eu não sabia como o Orkut funcionava, mas tinha uma vaga ideia. Consegui um convite e, no ano do seu lançamento, eu já estava registrado. O frustrante era não ter mais nenhum outro amigo também registrado para adicionar. Aos poucos, a rede social tornou-se cada vez mais popular e, o que fora criado com o intuito de abrigar usuários de todas as partes do mundo, hoje, praticamente em sua quase totalidade, só tem brasileiros como usuários ativos.

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E, em dois momentos, me veio a reflexão necessária para escrever este texto. Primeiro, quando eu imaginei o volume monstruoso de perfis e perfis criados no Orkut e, consequentemente, o número de pessoas que simplesmente deixam de usar o serviço ou morrem, por exemplo. A família geralmente não tem a senha, e as fotos e outras muitas particularidades do indivíduo ficam lá, registradas, enquanto os servidores estiverem ativos, quase como em uma lápide virtual. Não é à toa que, existe na rede uma mórbida comunidade batizada de PGM (profiles de gente morta).

Segundo, procurei registrar alguns endereços de blogs simples mas interessantes, o problema é que quase todos possuem registro e, o pior, há muito tempo não são mais usados, com pouquíssimo conteúdo publicado. Exemplos não faltam: www.amor.blogspot.com , duas postagens no total e não recebe atualizações desde 2007; www.paranoia.blogspot.com, uma postagem e não é atualizado desde 2001; www.palavras.blogspot.com, uma única postagem datada de 2002; www.sonho.blogspot.com; www.caminhar.blogspot.com; www.infefavel.blogspot.com, e outros e outros e outros. Aí me corrói o pensamento sobre o que essas pessoas andam fazendo, como elas são e se algumas já estão a sete palmos da terra ou não. Talvez pelo fato de eu ficar intrigado com alguém que, numa época onde os blogs eram sensação, cria um para dizer nada e ir embora. São poucas palavras que falam demais, porque elas esperneiam clamando um complemento, uma continuidade, e eu só posso imaginar.

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O Orkut diz: registrado desde 2004, você guarda alguns e-mails como cartas mofadas, percebe que aquele site defeituoso que um dia você tentou construir no FrontPage ainda tem alguns arquivos hospedados e a internet de outrora lhe traz memórias quase afetivas de coisas já totalmente ultrapassadas. É então que você se dá conta de que anda envelhecendo com a internet. Essa rotina que vivemos, voltados para uma tela luminescente, registrando-nos em novos serviços, esquecendo a senha de acesso e aprisionando uma breve descrição de nós mesmos para todo o sempre, é de uma estranheza que só pode ser percebida quando nos colocamos no papel de observador de nossos atos e não apenas de mais um internauta perdido na rede e limitado aos velhos espaços de sempre.


domingo, 5 de setembro de 2010

ESTAMIRA RECICLANDO IDEIAS


Há muito, muito tempo, eu precisava escrever um texto sobre o documentário “Estamira”. Precisava, porque o filme realmente mexeu comigo. Considero a produção um novo clássico. A gente às vezes fica sem tempo, tem preguiça ou simplesmente deixa para depois, mas, nada disso importa, porque um dos grandes méritos de “Estamira” como clássico é abraçar a atemporalidade. Quem assistiu, pode rever e aprender mais, quem não assistiu, deve.

A princípio, Marcos Prado filmaria apenas sobre o lixão de Gramacho, no Rio de Janeiro, mas ele então conheceu dona Estamira, doente mental crônica, de 60 anos de idade (na época das filmagens), que por lá vivia e que de lá tirava sua subsistência, se é que pode se chamar assim.

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Lembro-me que, quando assisti pela primeira vez, eu não sabia ao certo sobre do que tratava o filme. Depois de imagens contrastantes entre o céu límpido e o chão tomado por todo tipo de lixo, Estamira começa a falar para a câmera. Achei que fosse uma coadjuvante, alguma moradora da localidade que compartilha seu breve depoimento de vida e vai embora. Ledo engano! Estamira, que dá nome ao filme, como não podia ser de outra maneira, é a estrela que irradia a obra do início ao fim, diferenciando profundamente esse documentário de tantos do gênero que, sob a égide da denúncia, focam sempre suas lentes para a crua realidade brasileira, sem passar de mais do mesmo, numa tentativa débil de consternar e assim obter algum sucesso.

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O documentário chama a atenção porque faz o que a maioria das pessoas nunca faria. Primeiro, invade o lixão, que é, definitivamente um mundo à parte. Depois, dá voz a alguém que, provavelmente, nunca foi escutado em sua vida. E, neste ponto, o que mais tocou-me não foi a abordagem sobre a pobreza, a miséria, as disparidades sociais e mais aquilo que todos andam cansados de ouvir falar. O gancho que se fixa em seu peito e o aproxima cada vez mais daquele cenário é o fato de percebermos a quantidade de razão nas palavras de Estamira. A impressão que se tem é de que, em algum lugar, no subsolo ou escondido em alguma barraca, há um professor particular de filosofia que dá aulas àquela senhora.

Entre falas revoltosas contra Deus e o mundo, Dona Estamira diz o que muitos já pensaram falar mas não tiveram coragem o suficiente. O selo eternamente lacrado de outras bocas se rompe na sua. São os “trocadilos”, o controle remoto e os inversos que se manifestam.

Tanto lixo sob os pés pode transformar qualquer ser humano definido como mentalmente estável e normal em alguém esquizofrênico. Porém, há também uma relação interessante que aquele espaço proporciona. Parte do que Estamira come vem do lixo, suas roupas, sua pele, seu cabelos, também são depósitos de lixo. Vai-se acumulando de um jeito irremovível. E é ali, sobre todo tipo de sujeira, que sua loucura, insustentável na moradia corpórea, pode ser extravasada de forma plena, talvez por isso, Estamira continue, na sua maior parte do tempo lá, mesmo depois de ter ganhado uma casa do diretor do filme, Marcos Prado.

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É como um quadro que consegue ser belo e feio ao mesmo tempo. Características indissociáveis de um mundo com suas próprias leis. Por fim, o espectador ri, comove-se, revolta-se e dirige o olhar para si mesmo depois de escutar um discurso bruto e necessário, sem que a loucura pessoal de cada um seja capaz de lapidá-lo e varrê-lo para debaixo do tapete. Os mais sensíveis conseguem enxergar uma pérola.

Nota máxima! Cinco Andys para essa obra-prima:

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