sábado, 10 de julho de 2010

Natasha


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Natasha Khan é a responsável pelo projeto musical Bat for Lashes. Conheço algumas músicas. É algo interessante. Vez ou outra me lembra Bjork.

Só não preciso saber de muita coisa para confirmar a beleza simples e encantadora de Natasha.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

DOSSIÊ DO MAU GOSTO


Ah, o mau gosto! Mau gosto que nunca esteve tão em alta como nos dias de hoje, em que qualquer um, por mais rude e grosseiro que seja, pode expressar sua opinião e ter a audiência de alguns bobos ociosos.

É certo que coisas impostas nunca são boas. É certo que definir, esmiuçar, rotular e querer enfiar goela abaixo o caminho do que é considerado bom gosto ou, ao contrário, do que é tido como mau gosto, não é nada saudável.

O que me irrita não são as pessoas terem suas próprias opiniões, serem diferentes de mim ou discordarem do que eu penso. O que me irrita, de verdade, é essa predileção pelo conjunto unanimemente ruim. Todos nós temos defeitos e coisas pelas quais podemos nos envergonhar ou sentir orgulho, dependendo do ponto de vista. O que me irrita é o conjunto unanimemente ruim... unanimemente ruim.

Isso é chavão, é lugar-comum, mas a preguiça de pensar, a relutância em se aprofundar em algo que verdadeiramente valha a pena, são os motivos pelos quais, pessoas adoradoras do mau gosto tornam-se tão desinteressantes.

Nem sempre o que categoriza-se como entretenimento vai nos fazer sorrir ou felizes por algum momento. Nem sempre ler um livro, assistir um filme ou escutar uma música vai fazer nosso tempo correr de forma prazerosa. Nem sempre o que parece ter alguma identificação conosco nos trará respostas. Nem sempre é positivo tentar achar a nossa verdade ou nossas particularidades em uma obra artística. Às vezes, ou até na maioria das oportunidades, o melhor é surpreender-se, é conhecer o novo e ter a oportunidade de abraçar um outro ponto de vista; alojar mais um inquilino sem despejar o antigo. Coexistir. Descobrir é viver e é também um exercício tão fundamental quanto respirar.

Não adianta bancar o de politicamente correto o tempo inteiro e achar que seu dever na vida é agradar a todos. Não adianta enaltecer o ser humano a ponto de encobrir seus defeitos e considerá-lo um poço de complexidade sem fim. Não adianta achar que todo mundo merece ser conhecido melhor e que, para isso, você deve despender seu precioso tempo e sua capacidade analítica! Não! Definitivamente, não! Grande parte das pessoas, senão todas, a quem falta o mínimo de sensibilidade e senso crítico, são previsíveis, seguem uma linha comum que dói enxergar.

Foi pensando assim que decidi escrever o dossiê do mau gosto, combinando os traços e comportamentos que mais fazem alguém refutar o mínimo de conhecimento útil e reflexão sobre a vida e sobre si mesmo.

Não quero classificar, rotular e limitar ninguém, mas também não posso fugir disso. Talvez ao final deste texto eu acabe parecendo preconceituoso ou prepotente, mas as pessoas das quais eu falo são exatamente isso também quando consideram a sua verdade absoluta e têm todo o resto como perda de tempo. A diversidade, tão celebrada por muitos, ao meu ver, não passa de hipocrisia de uma massa alienada, nada fiel às suas convicções e personalidade, que sempre adota como melhor o que foi feito na semana passada.

Cinema

Cinema para os zumbis devoradores de mau gosto, nunca foi e nem nunca será a sétima arte. Cinema continuará sendo entendido como o espaço físico reservado à exibição de filmes. Nada mais do que isso. Ouso dizer as produções, ou pelo menos a linha de produção que vira top pra gente assim. Até há algum tempo, o filme da vida das menininhas era “Diário de Uma Paixão”; dos menininhos era “Velozes e Furiosos”. Hoje em dia, certamente, o que anda mais cogitado entre os acéfalos é a franquia “Crepúsculo”. Nem sei se continuará assim até eu terminar este texto.

É difícil falar sobre isso, porque existem as fases e os tipos de adoradores da escória maquiada.

Por exemplo, o maricas que pula dos musicais da Disney na fase pupa para, na fase borboleta, qualquer saga teen, que pareça sombria, desafiadora e inteligente, mas no final de contas é só um conto de fadas açucarado.

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O tiozinho, uma das raças mais fáceis de se identificar e mais estúpidas também – refiro-me àquele tipo repugnante, porque existem também tiozinhos engraçados e camaradas – consome basicamente dois gêneros de filme: o pornô, porque ele é comedor e não resiste a uma sacanagem, e os filmes de ação, muita bala e capotamento de carros, porque ele, mais uma vez é fodão, comedor e não está de brincadeira.

Para as menininhas cute-cute, não-me-toque, que defendem o amor da pior maneira possível, não existe outra coisa que não uma bela comédia romântica, daquelas costuradas por piadinhas chinfrins, drama xexelento no meio da trama e um final tão previsível que faz de qualquer um clarividente. Demorei mais aprendi que, essas menininhas-flor, que não podem escutar e nem falar palavrão, são as primeiras que se metem no gang bang da esquina quando se vira as costas.

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É blockbuster? Tá no cinema? Tem pôster bonitinho? Anda muito comentado por aí? Pra gente assim, deve ser bom, porque a opinião da massa preenche o vazio do indivíduo incapaz de pensar por si mesmo, e é assim que se sobrevive.

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Em último grau, há ainda aqueles que não dispensam uma dublagem faceira. Mas é óbvio. Se não leem nem os livros, o que dirá dos filmes, não é mesmo?

É esse mesmo tipo de gente que despreza completamente as películas antigas e acha tarefa impraticável assistir qualquer produção monocromática.

Filme brasileiro? No máximo um “Tropa de Elite”, talvez porque reúna os elementos ação, a não necessidade de legendas e a síndrome Datena de ser.

Música

Música, a linguagem universal capaz de unir povos e emocionar pessoas mesmo sem que se saiba o significado de sua letra. Música que também pode soar como as clarinetas do inferno em dia de festa. Entregue às mãos erradas, música é a imposição do mau gosto. Seja sincero, você já observou um carro, com aqueles estridentes aparelhos de som ligados a todo o volume tocar uma música boa? Se sim, diria que você é alguém sortudo.

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O gênero musical predominante para cada um de nós está profundamente arraigado ao modo que vivemos, que somos, à nossa personalidade. Talvez por isso que, detenho-me tanto às escolhas musicais de cada um, mas também não dá pra colocar uma venda, se passar por asno e ser totalmente radical e inflexível, achando que a vida é um grande last.fm, onde o grau de compatibilidade musical de cada um é sempre comparado e aí sim se tem ou não um motivo para se fazer um novo amigo. Acho que o que deve haver é uma linha de coerência, não de previsibilidade, mas de coerência ao que se escuta. Diria até de fidelidade. Música boa é música boa, e não importa se é rock, jazz, blues, samba, bossa nova, eletrônica, forró. Posso não gostar de determinado gênero musical, de determinada banda ou interprete, mas quando sei que a música é bem produzida, tem conteúdo e originalidade, eu reconheço isso. Não gosto de forró, mas é indiscutível que Luiz Gonzaga foi um grande interprete e que sua obra é um rico fruto da cultura popular. Não gosto de samba, mas a sua qualidade como gênero musical, representante do povo brasileiro, não pode ser negada. O que não pode ser admitido é que o ato de inovar seja confundido com o de desfigurar, já que é isso que acontece muitas vezes, quando, usando o exemplo daqui do Ceará, uma dessas horríveis bandas tem a cara de pau de afirmar que a excrecência produzida por elas é forró. Ora, vejamos bem. Quando se fala em forró, qual o primeiro instrumento que vem à sua cabeça? Um acordeom, ou sanfona, como chamam por aqui. Ao contrário disso, o “forró” que faz sucesso com o povo é aquele produzido por uma banda com, no mínimo, dez integrantes, duas guitarras, cabelo grande alisado tanto para as mulheres quanto para os homens, calça de couro, roupa preta e o abocanhamento de sucessos estrangeiros que tocavam nos anos 80 nas rodoviárias de todo o país e ninguém se lembra mais, quando não são versões, com tradução horrível, das músicas internacionais da trilha sonora das novelas da globo, ou canções de duplo sentido tão erotizadas que eu tenho a sensação de quase adquirir uma DST quando o vizinho liga o rádio e põe pra tocar.

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Aí eu me pergunto, como isso pode ser considerado forró? É a mesma coisa que Restart, Cine ou NX Zero serem consideradas bandas de rock, e olha que essas ainda usam guitarras, pelo menos no quesito cenografia.

Pessoas, representantes genuínas do mau gosto, escutam tanta coisa ruim por dois fatores: primeiro, pelo caminho anteriormente trilhado pelo grupo do qual ela faz parte; segundo, pela preguiça e acomodação de apreciar algo que não chegue aos seus ouvidos prontamente acabado e suscite algum tipo de reflexão posterior. Tudo que é mastigado, vomitado ou previamente digerido, é também prontamente aceito, mas no final das contas, o resultado é uma grande indigestão.

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Por que essas bandas que se auto-intitulam “hardcore melódico” fazem tanto sucesso no Brasil? Resposta: pela repetitividade e superficialidade dos assuntos abordados voltados para os teenagers em formação que, um dia, certamente irão sentir vergonha do que outrora seus ouvidos abrigaram. O rock clássico reúne netos, pais e filhos. Agora imagine estes citados devidamente caracterizados no estilo emo, curtindo um show. Sofrível, pra não dizer surreal.

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Um gênero que há algum tempo era totalmente marginalizado e, depois de ser elitizado e virar lazer alternativo pra madame mantem sempre o seu espaço na mídia, é o funk. Alguém levantará o braço e dirá que é a voz da comunidade, o grito reprimido da favela, forma de expressão. E daí? Uma coisa é analisar algo como o sociólogo ou o antropólogo fazem, dando seu parecer holístico. Outra é ser obrigado a gostar disso. Perdoem-me, mas qual a relevância de uma mulher que usa codinome de fruta e rebola como se praticasse um ato sexual? Não sou conservador. Pelo contrário. Só penso que, se o que se quer é perversão, por que não ir direto ao ponto? A pornografia, nos seus mais intensos graus está aí pra quem quiser, a um clique, mas, até pra falar sobre sacanagem da mais suja, há de haver inteligência caso o destino não seja o abismo do mau gosto.

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Inevitavelmente, crescemos rodeados por garotas usando micro-shorts e rebolando ao som das monossilábicas letras de músicas made in Bahia. É, parece que Carla Perez fez mesmo “iscola”. E não importa onde você more ou de que classe social você seja, sempre há um vizinho demente, uma lata velha ou um canal de TV tocando música indesejada, mostrando que os quatro cantos do Brasil e toda sua continentalidade produzem disparates pra todos os gostos.

Muita gente faz questão de disfarçar o próprio mau gosto. Alguns dizem: “Ah, não vou ficar em casa feito um lunático. Não importa a música. Hoje vou sair. Estarei lá pelas pessoas”. Só esquecem que os frequentadores desses ambientes são o exato reflexo da música que lá se escuta. Quem não concebe a música do ambiente como algo pelo menos parcialmente aceitável, não se submete a isso. O que se espera de um baile funk são potrancas, cachorras, frutas e calças Gang. O que se espera de um show de black metal são roupas pretas, cabelos compridos e pseudo adoradores do coisa-ruim que morrem de medo de ver o sol do Teletubbies. O que se espera de uma festa de forró são beberrões, adoradores de espetinhos de gato, que falam “lito”, referindo-se a litro – de cachaça -, porque falar corretamente é chato e patético. Esses estereótipos são tão maldosos, mas, não discuta comigo! Eu moro no Ceará, eu sei.

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Depois de tudo isso exposto, o pior mesmo é que, há ainda aqueles que, reconhecendo o ouvido de pinico e demais excrecências que têm, bancam o de ecléticos, capazes de apartar o que é bom e o que é ruim na hora em que bem entenderem. Pra mim é clássico quando dizem: “Ah, só escuto isso quando saio de casa, com os amigos, num momento de descontração”, ou, “Eu gosto mesmo é de rock. Sou super fã do Legião Urbana. Acho Renato Russo um gênio” ou ainda, “MPB, MPB que é bom. Gosto de Tom e Chico”, isso porque rola uma intimidade, né?

No final das contas, é deprimente, porque não existe nem mesmo a dignidade de defender o que se gosta com fundamentos cabíveis. É aquele ponto da falta de fidelidade por parte do público-alvo e da falta de consistência por parte dos que produzem esse tipo inibidor de apetite musical.

Literatura

O objeto livro está diretamente ligado à imagem de alguém estudioso, introspectivo, refinado, inteligente. É assim, porque, vamos admitir, a boa leitura transforma o ser humano, reforça o senso crítico, apresenta novas visões e reflexões, oferece base para suas fundamentações. Enfim, acredito que, sem a leitura, é muito difícil, talvez impossível, ser alguém melhor. E aí a gente se pergunta se pessoas donas de mau gosto em praticamente tudo realmente leem e consomem livros. A resposta é: muitas delas.

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Muito parecida com a indústria do cinema em certos aspectos, talvez por inúmeros filmes serem adaptações de livros, o mercado editorial também tem os seus fenômenos de venda. Nem todo best seller é ruim, mas também não podemos elevar o conteúdo do livro por que ele é best seller. Isto não pode transformar-se num selo de qualidade, porque não é. Na verdade, o que muitas vezes ocorre é até mesmo o inverso. Livros extremamente vendidos geralmente tem uma história tão pífia e um modo tão superficial de abordar certos temas, proporcionando assim que a grande massa seja atingida facilmente, sem obstáculos. São os escritos destinados à pequena massa... encefálica. Só isso não é garantia de sucesso, não, mas, tão perigoso como os conservantes do McDonald's, são as fórmulas usadas para vender e agradar o máximo possível de gente.

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Fórmulas essas que repetem-se incansavelmente, obviamente porque dão certo. Já cansei de ver livros derivados de programas televisivos; escritos por padres, de autoajuda, baterem recordes de vendas. É esse tipo de coisa que abre precedente para que Geyse Arruda cogite escrever uma biografia. É, Bruna Surfistinha também fez “iscola”.

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Como se ter o livro por si só depositado numa prateleira ou numa estante fosse grande coisa. As mães se orgulham: “Meu filho de 15 anos adora ler”, pena que, na maioria dos casos, todos os livros que se encontram no quarto do indivíduo sejam do bruxinho Harry Potter ou dos vampiros sugadores de suco de framboesa da saga Crepúsculo.

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Enquanto milhares de bons escritores disputam um lugar ao sol escrevendo com suas almas, de forma espontânea histórias sensíveis, inovadoras e livres para ultrapassar limites, quem sustenta o mercado editoral são os livros camuflados, vestidos com uma bela capa, hypados pela grande mídia, mas tão vazios de conteúdo que dão a sensação de serem mais leves do que os outros.

Dou atenção especial aos livros de auto-ajuda que constituem um gênero e esbarram em todos os clichês possíveis. A fórmula de tanto sucesso parte dos próprios leitores que, desesperados, iludem-se achando que um livro é capaz de aplicar grandes transformações em sua vida. É mais ou menos o que acontece com o feio, desempregado e pobre que não resiste às placas de neon da Igreja Universal. “Só preciso de uma orientação. Depois é comigo, eu posso me autoajudar.” Pronto, vão-se 30,00 reais do bolso com papel mais útil se viesse ao mundo como higiênico.

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Livros de autoajuda repetem o que todo mundo já anda cansado de saber: é melhor ser alegre que ser triste; tire férias e esqueça o trabalho; procure ser menos estressado; confie em si mesmo; faça o que você gosta; seja otimista. É tudo muito genérico e o problema mesmo é colocar isso em prática. Quem na vida não quer ser feliz? Só que a felicidade é um conjunto de fatores tão complexos e tão subjetivos que não dá pra ser compreendida de maneira tão resumida. Quem não quer tirar férias eternas no Havaí e bronzear-se numa rede enquanto duas dançarinas de hula-hula te refrescam abanando pra lá e pra cá? O problema é que isso é um tanto quanto impraticável, para trabalhadores assalariados que sustentam suas famílias e passam quatro horas do seu dia num trânsito caótico. Então, acho que os principais males de livros de autoajuda são a falta de autocrítica que eles propiciam a quem os lê e essa total falta de nexo com a realidade. Minha teoria é que, esse tipo de livro, só ajuda a quem os escreve.

Para mim, esses são alguns dos principais pontos caracterizadores do mau gosto a nível geral. Poderia continuar falando sobre gírias, cantadas, sapatos de camurça, correntes maloqueiras no pescoço e tantas outras manifestações de desconcerto pessoal, mas acho que já é o suficiente.

Lembrem-se, nada é absoluto. Tudo é relativo e pode ser discutido, contanto que haja fundamentos para tal (ei, isso é absoluto?).

quinta-feira, 3 de junho de 2010

domingo, 30 de maio de 2010

Macumbapop


Quando assisti pela primeira a um vídeo da Marli no Youtube, eu fiquei intrigado, me perguntando por alguns instantes de que dimensão aquilo tinha vindo. Um fundo musical digno dos videogames da era 8-bits, mais uma gravação tosca, mais uma atmosfera de macumba psicótica e, é claro, a nossa personagem principal, Marli, intérprete disso tudo.

Ociosidade, boas influências - ou péssimas influências, dependendo do ponto vista – e uma ideia na cabeça são as explicações cabíveis para a criação desse personagem divertidíssimo e sinistro para alguns, é verdade.

Com letras desconexas e obscuras, efeitos de música eletrônica obsoleta e uma câmera gravando tudo ao melhor estilo Bruxa de Blair, a sensação que se instala nos desavisados é um misto de riso e pavor.

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Em meio a tanto plágio, repetição e vídeos de comédia stand up que não fazem rir nem o mais débil dos débeis, a história de Marli, ex-emprega doméstica baiana que, dirigida pelo filho de seus patrões na época, atua e canta em vídeos tão escrachados que chegam no limite do que se pode ser considerado trash e vira hit na internet, é formidável. Se macumba transformou-se em algo chiquê, tendência na alta sociedade, os vídeos e as músicas da rainha das trevas brasileira levam isso até às últimas consequências.

A personagem não tem sua história resumida apenas aos vídeos enviados para o canal no Youtube, mas também conta com uma série de discos virtuais disponíveis para download que dão mais veracidade à sua carreira fictícia.

Veja abaixo alguns dos videoclipes de Marli e descubra o que é magia negra, literalmente:





Laurie Lipton


Só posso descrever o trabalho da norte-americana Laurie Lipton como poderoso e incrível. Não importa para qual direção se olhe, o desenho sempre parece mirar em você de novo. Com imagens fortes, carregadas e corroboradas por um preto e branco eterno, Laurie transmite através de sua obra uma crueza surreal que se aproxima cada vez mais da realidade.





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Conheça mais sobre a artista em seu site oficial: http://www.laurielipton.com/

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Edward mãos de...


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Isso mesmo! Não duvide mais de nada neste mundo onde a criatividade não tem limites.

Edward Mãos de Pênis é uma paródia pornô de 1991 do clássico de Tim Burton Edward Mãos de Tesoura.

Assista abaixo uma aula de interpretação:



terça-feira, 11 de maio de 2010

Kill me


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Para me redimir do horrendo post anterior, ofereço a linda Julie Benz, na ficção atualmente interpretando a adorável Rita, dona de casa exemplar e esposa de um serial killer.

domingo, 2 de maio de 2010

The Brown Bunny e o boquete


The Brown Bunny é um filme de 2003, lançado oficialmente no Brasil em 2005 e assistido por mim em 2010, hahaha. Quanta relevância! Porém, mais relevantes ainda são os motivos que me fizeram assisti-lo: Chloë Sevigny (Daisy) e o famigerado boquete prestado ao seu companheiro Vicent Gallo (Bud).

É verdade que, durante a 1h e 30 min de exibição, o sexo oral explícito é a parte mais movimentada do longa morno e paradíssimo. Definitivamente não é um bom filme mas também não é ruim, tendo talvez nessa monotonia aparente os seus maiores méritos.

Grosseiramente poderíamos resumir o filme em um personagem chamado Bud, piloto de motocicletas, que passa boa parte do tempo vagando de um lugar para outro em seu furgão preto, tropeçando em algumas mulheres de procedência duvidosa, mas sempre buscando o seu verdadeiro amor, Daisy, a moça da qual não se tem mais notícias que nutre uma predileção por coelhos marrons, bichinhos que não costumam viver por muito tempo, mesmo com uma dieta alimentar especial.

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E seguindo num tom que me relaxou a ponto de quase me embalar pra dormir, The Brown Bunny vai andando, ou melhor correndo, acelerando, pelas estradas dos Estados Unidos, sem um destino. Muitas vezes as minhas impressões sobre as coisas divergem quase que totalmente das de outras pessoas. Ter sono enquanto se assiste a um filme no meio da tarde logo traduz-se em assistir um mau filme, o que comigo é o contrário. Filmes ruins me deixam agitado, puto da vida, louco para tirar o disco do reprodutor e jogá-lo pela janela. Fazer justiça!

Esse sono que vai nascendo e consumindo a alma, embriagando as pálpebras e confundindo os sentidos, é a vontade de estar dentro do filme, de ser mais do que espectador, de ser pelo menos objeto – um telefone na escrivaninha, uma jarra de suco sobre a mesa.

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Voltando ao longa, a câmera quase sempre dentro do carro, apontada ora para as estradas fantasmas, intermináveis e angustiantes, ora para a expressão facial sofrida de Bud, denota um vazio nauseante. Mais do que enjoar no vai e vem frenético das estradas, a sensação aqui é de enjoar na necessidade de busca de algo conhecido e ao mesmo tempo incerto, incorpóreo.

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O protagonista tem um olhar vidrado, desconcertado e, perdoem-me se isso se faz presente, mas não lembro de ter visto Bud esboçando um sorriso. A construção de um personagem apático e melancólico é bem executada.

O filme bem que poderia ser perturbador, claustrofóbico, intimidador, mas não tem ritmo pra isso. Falta frenesi. Como já citado anteriormente, acaba sendo até relaxante, mesmo com um roteiro e imagens que não transmitem otimismo.

Atenção - o trecho a seguir contém spoilers:

Restando 15 minutos para o término do filme, eis que Daisy surge num quarto de hotel e encontra Bud, o lobo solitário – é um nome bem canino mesmo -, que a aguarda sentado na cama. O aspecto frágil e doentio de Daisy refletem o seu vícios em drogas. Depois de algumas palavras, declarações de amor e recusas, Bud coloca a ferramenta para fora e faz Daisy trabalhar, num ato, digamos, um pouco agressivo, exercendo dominação e ao mesmo tempo arrependimento.

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A reposta definitiva para a busca incessante de Bud por Daisy, era a de que ela não mais existia. Não mais neste mundo. Há algum tempo o casal se divertia numa festa. Daisy se empolgou, bebeu demais e acabou sendo estuprada por um grupo de homens. Quando Bud entrou no quarto e viu a cena, não teve reação, ficou atônito. Daisy morreu e levou consigo o bebê de Bud que carregava no ventre. Estes fantasmas do passado confundem-se com uma consciência literalmente fodida, já que Bud na verdade fez um boquete em si mesmo.

O fim não é nem um pouco impactante, mas pelo menos esclarece e responde as perguntas que passam a habitar a cabeça do espectador durante mais de uma hora de esmo.

E agora, inaugurando o processo classificatório, uma escala de Andys Frenchs de 1 a 5. Já ficam avisados: quanto mais Andys felizes, melhor a obra, quanto mais Andys revoltados, pior a qualidade.

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Caleidoscópio


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Em meio à vastidão da internet, é capaz que você se perca e acabe atolado num lamaçal de mau gosto. Mas entre milhares de tristonhos blogs que brotam por aí, eis que um tal de La Dolce Vita, adestrado por Miguel Andrade, seu cão Boris e alguns monstros da Universal que certamente habitam sua casa, traz a luz no fim do túnel para os aficionado por cultural pop.

O blog em questão tem cheiro de mofo, mas isso no melhor dos sentidos, afinal, nunca se voltou tanto ao passado para relembrar as tendências, influências e beber dessa fonte, trabalhar uma nova roupagem, mesclar tudo num retrô hi-tech. Miguel faz isso bem. Tem a capacidade de acertar no alvo sobre o que é prazeroso de se ler, construindo um paradoxo interessantíssimo da era digital em resgate do pretérito; do layout nunca desbotado com as páginas de revistas amareladas pelo tempo.

Através de postagens rápidas e imagens bem garimpadas, a leitura nunca se torna cansativa e se você visitar uma vez, vai querer voltar. O que mais agrada no blog é a maneira como Miguel conduz as coisas, compartilhando conosco de forma íntima o que anda esquecido em nossa memória ou passa despercebido pelas prateleiras dos hipermercados. Transparece em cada post o prazer em trazer do limbo capas de vinis medonhas, dissertar sobre os filmes clássicos de Hollywood e escancarar imagens inusitadas que até então você desconhecia completamente. É um hobby exercido com grande estilo.

Para os novos visitantes do La Dolce Vita (cidadaoquem.blogspot.com), o que não falta é um arquivo repleto de informações e imagens – na sua grande maioria – para colecionar. Tome uma caneca de café, acomode seu traseiro gordo na cadeira e seja mais um leitor também.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Butterfly


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Cara, mesmo com esse cabelinho de cuia, ela é bonitinha. Diga se não é verdade, principalmente quando canta "i, i, i, i am your butterfly...":



Yo-Landi Vi$$er é o nome artístico da loirinha com jeito de coelho. Ela faz parte do trio de rap que parece vindo de outro mundo mas na verdade é da África do Sul, entitulado de Die Antwoord.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Relógio iluminado


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Acho que ainda não vi relógio de parede mais legal do que o da foto. É um cuco que, de hora em hora, mostra a carinha aterrorizante de Jack Nicholson em O Iluminado. Não é produzido comercialmente, mas valeria cada centavo pago. Demais!

terça-feira, 9 de março de 2010

Capaz




Eu não poderia deixar de registrar aqui o quanto esta imagem encheu meus olhos de alegria. Obrigado!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Abrigo


Queridos leitores, leitoras, alminhas, zumbis e japoneses tarados que visitam o blog procurando algum tipo de sacanagem. Recentemente criei o "Ignição" - mas que tem no endereço um b, "bignição", porque já existe um maldito blog abandonado usando apenas "ignição" - para abrigar meus contos e poemas. O Só Lhe Dão Solidão já fazia bem o seu papel, tanto que eu havia postado neste querido espaço 11 contos. O conteúdo geral do blog, mais voltado para coisinhas legais da cultura pop que eu acho esporadicamente por aí poderia parecer destoar um pouco do espaço para literatura, mas na minha cabeça as coisas não funcionam assim. Acho que o que eu escrevo pode tratar de qualquer coisa que eu viva, experimente e conheça, sem perder a sua elegância, aliás, talvez até ganhando um potencial muito maior.

Enfim, por questão de organização e de ânimo, já que criar um blog sempre dá um up nas ideias, eu destinei o novo espaço a meus textos literários. Espero que quem passa por aqui, na maioria das vezes desavisadamente, caminhe um pouco pelo Ignição também. É uma sensação maravilhosa e gratificante saber que algum texto de sua autoria foi capaz de sensibilizar alguém e transportá-lo para a situação narrada. É incrível.

Compartilhem:

http://www.bignicao.blogspot.com


Abraços!